“E tudo mudou… O rouge virou blush, o pó-de-arroz virou pó-compacto, o brilho virou gloss, o rímel virou máscara incolor, a Lycra virou stretch, anabela virou plataforma, o corpete virou porta-seios, que virou sutiã, que virou lib, que virou silicone. A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento. A escova virou chapinha. “Problemas de moça” viraram TPM. Confete virou MM. […] Os halteres viraram bomba. A ergométrica virou spinning. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal. Ninguém mais vê.
Ping-Pong virou Babaloo. A tristeza, depressão. O espaguete virou Miojo pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. […] A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde éramos seis, e álbum de fotos agora é mostrado por email.O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do “não” não se tem medo. O break virou street. […] Folhetins são novelas de TV. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um chato. […] A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está coisa maldita.
 A maconha é calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais. A guerra superou a paz, e a sociedade ficou incapaz… De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.”
LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

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